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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

30 de setembro – Dia do Jornaleiro


30 de setembro – Dia do Jornaleiro


No dia 30 de setembro é comemorado o Dia do Jornaleiro. A celebração é uma homenagem àqueles que levam informações e entretenimento à casa dos cidadãos todos os dias. A história desta profissão é marcada pelo trabalho duro, mas que encontra sua recompensa pela reconhecida importância deste trabalho, que permite que todos tenham acesso às noticias.  

Especula-se que a profissão de jornaleiro já conte, aproximadamente, 150 anos de existência em nosso país. No principio, o papel de distribuir os jornais cabia aos negros escravos, que os vendiam pelas ruas enquanto gritavam as principais manchetes do dia como modo de atrair a atenção dos transeuntes. O primeiro jornal a ser vendido avulso foi o “A Atualidade”, em 1858.

Já no inicio do século XX, os jornaleiros já contavam com recursos como o cavalo, que acelerava seu trabalho, tornando-o mais eficiente. Todos os dias, os jornaleiros levavam as notícias do dia ao publico, oferecendo, de mão em mão, os jornais nas ruas centrais das cidades. 

De origem principalmente italiana, os jornaleiros evoluíram das ruas para caixotes, com uma madeira em cima, onde os jornais eram organizados para a venda. O primeiro ponto fixo para a venda de jornais foi construído por Carmine Labanca, imigrante italiano, na cidade do Rio de Janeiro. É dele que se origina o termo “banca”, como sinônimo para estes pontos de venda.

Posteriormente, por volta de 1910, os caixotes evoluíram para estruturas de madeira mais complexas. Já na década de 50, as bancas de madeira começaram a ser substituídas por outras, de metal, perdurando os periódicos até os dias de hoje nos mesmos moldes. Atualmente, as bancas contam com os mais diversos recursos da tecnologia, como ar refrigerado, piso em mármore, entre outros, sempre visando o bem-estar dos clientes.

A casa do Pequeno Jornaleiro

Criada em 1940 como o projeto principal da Fundação Darcy Vargas – entidade filantrópica instituída por Darcy Vargas, viúva de Getulio Vargas –, a Casa do Pequeno Jornaleiro tinha como objetivo melhorar a situação dos jornaleiros, em sua grande maioria crianças, fato que já estava se tornando um problema social para a cidade do Rio de Janeiro. Tentando aumentar suas vendas, os pequenos jornaleiros perambulavam até tarde e acabavam dormindo nas ruas.

A ideia do projeto era oferecer abrigo à noite e ocupar esses jovens durante o dia, dando-lhes a oportunidade de frequentar aulas e cursos profissionalizantes, em horários não conflitantes com o exercício da profissão. Com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990, os objetivos da Casa do Pequeno Jornaleiro mudaram. Hoje, sua função é fornecer reforço escolar e atividades complementares para as crianças e adolescentes cariocas. Disciplinas como português e matemática são oferecidas, além de aulas de informática, corte e costura, jardinagem, dança e até mesmo um coral.


Curiosidades da profissão:


 O nome "jornal", que veio a nomear, depois, o "jornaleiro", tem sua origem na palavra latina "diurnalis", que se refere a "dia", "diário" – o que significaria o relato de um dia de atividades.

· A palavra "gazeteiro", que também significa o aluno que costuma "gazetear" as aulas (faltar, sem que os pais soubessem), tem sua origem no jornaleiro, que era chamado de "gazeteiro". Isso se deve ao fato de que as crianças preferiam ficar nas bancas, olhando os jornais e revistas, ao invés de ir para o colégio.

· "Gazetta" era o nome da moeda em Veneza, no século XVI. Foi essa palavra que deu origem ao Gazetta Veneta, jornal que circulava na cidade de Veneza no século XVII. Com o tempo, "gazeta" virou sinônimo de periódico de notícias.


Obtido em: http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/pwdtcomemorativas/default.php?reg=24&p_secao=17

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Machado de Assis - Grandes Brasileiros

Machado de Assis


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época.
Nascido no Morro do LivramentoRio de Janeiro, de uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade. Os biógrafos notam que, interessado pela boemia e pela corte, lutou para subir socialmente abastecendo-se de superioridade intelectual. Para isso, assumiu diversos cargos públicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas, e conseguindo precoce notoriedade em jornais onde publicava suas primeiras poesias e crônicas. Em sua maturidade, reunido a colegas próximos, fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras.
Sua extensa obra constitui-se de nove romances e peças teatrais, duzentos contos, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas crônicas. Machado de Assis é considerado o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Este romance é posto ao lado de todas suas produções posteriores, Quincas BorbaDom CasmurroEsaú e Jacó e Memorial de Aires, ortodoxamente conhecidas como pertencentes a sua segunda fase, em que se notam traços de pessimismo e ironia, embora não haja rompimento de resíduos românticos. Dessa fase, os críticos destacam que suas melhores obras são as da Trilogia Realista. Sua primeira fase literária é constituída de obras como RessurreiçãoA Mão e a LuvaHelena e Iaiá Garcia, onde notam-se características herdadas do Romantismo, ou "convencionalismo", como prefere a crítica moderna.
Sua obra foi de fundamental importância para as escolas literárias brasileiras do século XIX e do século XX e surge nos dias de hoje como de grande interesse acadêmico e público. Influenciou grandes nomes das letras, como Olavo BilacLima BarretoDrummond de AndradeJohn BarthDonald Barthelme e outros. Em seu tempo de vida, alcançou relativa fama e prestígio pelo Brasil, contudo não desfrutou de popularidade exterior na época. Hoje em dia, por sua inovação e audácia em temas precoces, é frequentemente visto como o escritor brasileiro de produção sem precedentes, de modo que, recentemente, seu nome e sua obra têm alcançado diversos críticos, estudiosos e admiradores do mundo inteiro. Machado de Assis é considerado um dos grandes gênios da história da literatura, ao lado de autores como Dante,Shakespeare e Camões.

sábado, 24 de setembro de 2016

Data da Morte de Dom Perdo I

Morre D. Pedro I, primeiro monarca do Império do Brasil




24-09-1834 D.C.

No dia 24 de setembro de 1834 morria, em Lisboa, D. Pedro I, primeiro fundador e primeiro monarca do Império do Brasil. Nascido no dia 12 de outubro de 1798, em Lisboa, ele foi o quarto filho do rei Dom João VI com a rainha Carlota Joaquina. Quando Portugal foi invadido por tropas francesas, ele e toda a aristocracia portuguesa fugiram para o Brasil, em 1808. O início da Revolução liberal do Porto, em 1820, em Lisboa, obrigou D. João VI a voltar para Portugal em abril de 1821. Com isso, D. Pedro I ficou como príncipe-regente do império e precisou lutar contra ameaças de revolucionários e insubordinação de tropas portuguesas. Diante da tentativa do governo português de retirar a autonomia política do Brasil, Pedro I optou por declarar a independência do Brasil de Portugal em 7 de setembro de 1822.
Em 12 de outubro, foi aclamado imperador brasileiro e, em março de 1824, havia derrotado todos os exército leais a Portugal. Ele ficou no poder até 7 de abril de 1831, quando, incapaz de lidar com os problemas do Brasil e de Portugal ao mesmo tempo, abdicou do trono em favor do seu filho Dom Pedro II, retornando à Europa. De volta a Portugal, ele se viu em meio a uma guerra, que envolveu toda a península ibérica, numa luta entre defensores do liberalismo e os que defendiam o absolutismo. Pedro I morreu de tuberculose, no dia 24 de setembro de 1834, poucos meses após ele e os liberais obterem a vitória. Ele morreu no palácio de Queluz, no mesmo quarto e na mesma cama onde nascera 35 anos antes.

FONTE: 
http://seuhistory.com/hoy-en-la-historia/morre-d-pedro-i-primeiro-monarca-do-imperio-do-brasil-0

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Independência do Brasil - 194 anos

Independência do Brasil




Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Independência do Brasil é um processo que se estende de 1821 a 1825 e coloca em violenta oposição o Reino do Brasil e o Reino de Portugal, dentro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. AsCortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, instaladas em 1820, como uma consequência da Revolução Liberal do Porto, tomam decisões, a partir de 1821, que tinham como objetivo reduzir novamente o Brasil ao seu antigo estatuto colonial.
Antecedendo o processo de independência do Brasil, mas com fortes influências sobre o mesmo, ocorre a transferência da corte portuguesa para o Brasil. Em 1807, o exército francês invadiu o Reino de Portugal que se recusa a se juntar ao ´bloqueio continental contra o Reino Unido. Incapaz de resistir ao ataque, a família real e o governo português fugiram para o Brasil, que era então a mais rica e desenvolvida das colônias lusitanas[1][2]. A instalação do Tribunal de Justiça no Rio de Janeiro traz uma série de transformações políticas, econômicas e sociais que levam à decisão do Príncipe Regente D. João, consumada em 16 de dezembro de 1815, de elevar o Brasil à condição de reinounido com sua ex-metrópole.
Porém, em 1820, uma revolução liberal eclodiu em Portugal e a família real foi forçada a retornar para Lisboa. Antes de sair, no entanto, D. João nomeia o seu filho mais velho, D. Pedro de Alcântara de Bragança, como Príncipe Regente do Brasil (1821). Fiel ao seu pai, o príncipe-regente vê sua condição complicada pela vontade política das cortes portuguesas em repatriá-lo e de retornar o Brasil ao seu antigo estatuto colonial. Oficialmente, a data comemorada para independência do Brasil é a de 7 de setembro de 1822, em que ocorreu o chamado "Grito do Ipiranga", às margens do riacho Ipiranga (atual cidade de São Paulo). Em 12 de outubro de 1822, o príncipe foi proclamado imperador pelo nome de Pedro I e o país leva o nome de Império do Brasil.
Assim começou a guerra de independência que vê nascer e atuar o exército brasileiro, formado a partir das tropas coloniais portuguesas, contra aquelas que permaneceram fiéis ao Reino de Portugal em algumas partes do país, evitando a desfragmentação do território.[3]. Em meio ao conflito, há o levantamento da Confederação do Equador, que pretendia formar seu próprio governo, republicano, mas foi duramente reprimido. Depois de três anos de conflito armado, Portugal finalmente reconheceu a independência do Brasil, e em 29 de agosto de 1825 foi assinado o Tratado de Amizade e Aliança firmado entre Brasil e Portugal. Em troca, o Brasil se comprometeu a pagar ao Reino de Portugal uma indenização substancial e assinar um tratado de comércio com o Reino Unido, para indenizá-lo por sua mediação.

De reino unido a Império independente

Pedro partiu para a Província de São Paulo para assegurar a lealdade dos locais à causa brasileira. Ele alcançou sua capital em 25 de agosto e lá permaneceu até 5 de setembro.
Leopoldina, sua esposa, assumiu a regência durante a viagem. Diante das exigências de Portugal para que ambos retornassem a Lisboa, ela convocou uma sessão extraordinária do Conselho de Estado no dia 2 de setembro de 1822 e, juntamente com os ministros, decidiu pela separação definitiva entre Brasil e Portugal, assinando então a declaração de independência. Em seguida, enviou o mensageiro Paulo Bregaro para entregar a Pedro uma carta informando sobre o ocorrido.
Em 7 de setembro, quando retornava ao Rio de Janeiro, Pedro recebeu a carta de José Bonifácio e de Leopoldina. O príncipe foi informado que as Cortes tinham anulado todos os atos do gabinete de Bonifácio e removido o restante de poder que ele ainda tinha. Pedro voltou-se para seus companheiros, que incluiu sua Guarda de Honra e falou: "Amigos, as Cortes Portuguesas querem escravizar-nos e perseguir-nos. A partir de hoje as nossas relações estão quebradas. Nenhum vínculo unir-nos mais" e continuou depois que ele arrancou a braçadeira azul e branca que simbolizava Portugal: "Tirem suas braçadeiras, soldados. Viva independência, à liberdade e à separação do Brasil." Ele desembainhou sua espada afirmando que "Para o meu sangue, minha honra, meu Deus, eu juro dar ao Brasil a liberdade" e gritou: "Independência ou morte". Este evento é lembrado como "Grito do Ipiranga".
Ao chegar na cidade de São Paulo, na noite de 7 de setembro de 1822, Pedro e seus companheiros espalharam a notícia da independência do Brasil do domínio português. O príncipe foi recebido com grande festa popular e foi chamado de "Rei do Brasil", mas também de "Imperador do Brasil". Ele retornou ao Rio de Janeiro em 14 de setembro e nos dias seguintes os liberais espalharam panfletos (escritos porJoaquim Gonçalves Ledo), que sugeriam a ideia de que o príncipe deve ser aclamado Imperador Constitucional. Em 17 de setembro, o Presidente da Câmara Municipal do Rio de JaneiroJosé Clemente Pereira, enviada às outras Câmaras do país a notícia que a Aclamação iria ocorrer no aniversário de Pedro, em 12 de outubro. No dia seguinte, a nova bandeira e brasão de armas do reino independente do Brasil foram criados.
Coroação do imperador Pedro I em 1 de dezembro de 1822.
A separação oficial de Portugal só ocorreria em 22 de setembro de 1822, em uma carta escrita por Pedro a João VI. Nele, Pedro ainda chama a si mesmo de "Príncipe Regente" e seu pai é referido como o Rei do Brasil independente. Em 12 de outubro de 1822, no Campo de Santana (mais tarde conhecido como Campo da Aclamação) o príncipe Pedro foi aclamado Dom Pedro I, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. Era ao mesmo tempo o início do reinado de Pedro e também do Império do Brasil. No entanto, o Imperador deixou claro que, embora ele tenha aceitado o título, se João VI retornasse ao Brasil ele iria descer do trono em favor de seu pai.
A razão para o título imperial foi a de que o título de rei iria simbolicamente significar uma continuação da tradição dinástica portuguesa e talvez do temido absolutismo, enquanto o título de imperador derivava da aclamação popular, como na Roma Antiga. Em 1 de dezembro de 1822 (aniversário da aclamação de D. João IV, o primeiro rei da Casa de Bragança) Pedro I foi coroado e consagrado.



sábado, 31 de outubro de 2015


O Acordo


O bar estava quase a fechar, as luzes da pista estavam apagadas, as cadeiras arrumadas em cima das mesas e o chão estava limpo. Já não se encontrava ninguém na sala, exceptuando um homem que se encontrava ao balcão e o empregado, todos os outros funcionários já tinham saído. Debruçado sobre o balcão, já bastante embriagado, o homem engoliu de uma só vez a dose de whisky, o empregado que 
estava ao balcão tamborilava impacientemente os dedos, esperando que este se fosse embora. 

- Amigo! Mais outro! - pediu o homem embriagado 
- Por amor de Deus, você já bebeu o suficiente para uma semana. Vá para casa e tente dormir. 
- Tenha piedade. Só mais outro e depois vou-me embora. 
- Isso é o que tem dito na última hora - replicou o empregado servindo outra dose. 
- Eu matei-a - sorveu grande gole e prosseguiu - Ela apareceu no meio da estrada, vinda do nada... Eu matei-a, pobrezinha... 
- Podia ir vê-la ao hospital, assim já podia ir para casa e dormir em paz. 
- Não. Ela vai morrer... Eu matei-a... 

O empregado preparava-se para servir outra dose quando a porta de entrada se abriu, vinda da noite, entrou por ela uma mulher. Ambos os homens pensaram ter visto um vulto vermelho, uma labareda que irrompera pela sala. Observaram extasiados a mulher que se aproximava, vestida de vermelho, caminhando elegantemente sobre os saltos altos. 

- Quero o mesmo que este senhor está a beber - pediu inclinando-se sobre o balcão, deixando entrever pelo decote a lingerie negra condizente com as meias, com a cor do verniz das unhas e das sombras dos olhos. 

O empregado ainda em transe, serviu o whisky deixando o copo transbordar, parou apenas ao sentir a mão molhada. A mulher vestida de vermelho ergueu o copo, atirou a cabeça para trás fazendo voar os cabelos, às madeixas vermelhas e louras, e bebeu o líquido de uma só vez, quando terminou passou a língua sobre os lábios com baton vermelho. 

- Não pude deixar de escutar a vossa conversa - começou por dizer a mulher na sua voz roufenha - Tenho algo que talvez possa ajudar a sua amiguinha que está no hospital. 
- Ninguém a pode ajudar - replicou o homem embriagado - Ela está morta. Eu... 
- Se você proceder como eu mandar podemos salvá-la - interveio a mulher que acariciava, com as pontas das unhas negras, uma pequena e macia bolsa de couro que trazia pendurada ao pescoço, pousada sobre o vale formado pelos seios generosos. 
- Não acredito - disse o embriagado, sem convicção. 
- Eu posso ajudá-lo - afirmou a mulher, gentilmente, aproximando seu rosto ao do homem embriagado - Deixe-me ajudá-lo, a si e à miúda... 
- Está bem - acedeu indiferente e depois levantou-se cambaleando quase caindo se não fosse a mulher de vermelho ampará-lo. 
A mulher colocou o braço do embriagado em volta do pescoço, e o seu braço nas costas dele, ajudando-o a caminhar. Já perto da porta de saída voltou-se para o balcão e proferiu algumas palavras ao empregado do balcão. 
- Mais tarde trarei notícias do seu amigo, não se afaste daqui - dizendo isto, lançou-lhe um olhar sensual, convidativo e elucidante. 

Enquanto o estranho par, ela uma mulher sensual e ele um bêbado mal apresentado, saía pela porta principal, o empregado sorria de satisfação ao pensar: Ela trata do tipo e depois vem cá tratar de mim, vai ser uma festa inesquecível. 

No hospital, no quarto onde estava internada a pequena que fora atropelada pelo homem embriagado, embora na altura estivesse sóbrio, a provocante mulher de vermelho deitava uns pós sobre a esta, enquanto fazia umas rezas. O braço da internada ostentava uma pulseira, decorada com estranhos caracteres e diagramas, que a mulher retirara antes do seu próprio pulso. A pulseira deveria agir em 
conjunto com os pós e as rezas, pensava o pobre homem, uma curandeira vinha mesma a calhar, estas normalmente têm poderes subjacentes de natureza paranormal que as ajudam a resolver problemas que a ciência não consegue. 

Ao fim de algumas horas, a pequena mexeu-se e pouco depois abriu os olhos e procurou saber onde se encontrava. O homem embriago segurou a mão da criança e de seguida caiu desfeito em lágrimas, aos pés da mulher de vermelho. 

No bar o empregado de balcão, sentado numa das poltronas, com a mulher provocante ao colo, perguntava: 

- Como está a menina? Melhorou? 
- Sim, ela está perfeitamente bem - respondeu ela na sua voz arrastada - Saiu de coma e vai recuperar rapidamente. 
- E o meu amigo, ainda tem salvação? 
- Ele é um fraco, não tem qualquer salvação. São as fraquezas que os condenam. 
- Ah! Sim! - dizia o empregado do bar, distraidamente, enquanto olhava para os seios palpitantes mesmo em frente ao seu rosto. 
A mulher abriu delicadamente a camisa dele, acariciou o peito dele e reteve a mão na zona do tórax onde fica alojado o coração. 
- Tu, também és fraco, não tens salvação. Podias ter ido para casa, para junto da tua mulher e dos teus filhos. Não soubeste resistir à tentação da carne. As mulheres são a tua fraqueza 

O sorriso do empregado desapareceu, enquanto os seus olhos iam ficando exorbitados, à medida que toda a energia e vitalidade da sua alma eram drenadas. 

Abriu a boca, mas o grito morreu-lhe na garganta. O corpo da mulher ergueu-se no ar, transformou-se numa labareda e desapareceu enfiando-se no chão, deixando para trás um corpo sem vida. 

Há muita gente cheia de fraquezas, esta noite em particular eu sei de alguém que não vai conseguir dormir, vai tentar esconder a cabeça por baixo dos lençóis, deixar as luzes acesas e tomar alguns comprimidos. Não importa, eu estarei lá para cumprir o seu destino, expirar os seus medos. 

Realização: Carlos Pires
Data: 5-12-1996
Classificação: * * *